Meu filho não come mas depois fica obeso. Oi?

 

 

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Meu filho não come. Manhã chuvosa de domingo e dois pensamentos passeiam pela minha mente: o primeiro – e mais preocupante – é que Úrsula parou de comer novamente. Para quem não sabe ainda, minha filha caçula, de dois anos, funciona assim: come, come, come. Durante um mês. E come de tudo. Aí desencana  e acha que tem coisas mais interessantes para fazer. Simplesmente não acha graça em nada comestível. A não ser banana, uva e queijo, nada entra. Ela vira o rostinho, faz careta e diz “não”.

 

Como ela nasceu prematura e está bem abaixo da linha média na tabela de crescimento, surge um certo desespero desta mãe, seguido de ações também desesperadas. Nesse dia, pensando que a banana tem vitaminas e carboidratos, resolvi juntar a fruta com Farinha Láctea para que ela comesse algo forte, com sustância, que desse cor no rosto, energia e… me senti a minha mãe nos anos setenta! Enfim…

 

Enquanto ela comia fiquei pensando sobre obesidade infantil. Segundo o IBGE, cerca de 30% das crianças entre 5 e 9 anos estão acima do peso e quase 15%, obesa. Mas o que mais ouvimos das mães com filhos pequenos é que eles não comem! O que será que acontece entre a fase do “meu filho não come” até o “meu filho está obeso”? Um mistério esse hiato, mas acredito que estamos fazendo alguma coisa errada no meio do caminho.

 

Depois de muito conversar com especialistas da área de alimentação e saúde até hoje, cheguei a conclusão de que eu devo ser a prova viva do que ocorre. Segue comigo. O filho não come. Mãe desesperada apela para tudo (leia-se comidas que dão sustância e os pequenos tem mais facilidade para comer, como a tal farinha láctea, bolachas, salgadinhos, fast foods. Nunca vi ninguém lutando para uma criança comer um pedaço de chocolate!).

 

Mãe respira aliviada porque o filho está absorvendo alguma caloria. Acredita que isso é só um start para ele voltar a comer. Depois, quando tudo voltar ao normal, as refeições voltarão a ser saudáveis, pensa a ingênua. Humm… e quem foi que disse que a criança vai querer algo saudável e verde depois de uma maratona de porcaritos? Na tentativa de voltar ao “normal” provavelmente o filho não vai comer novamente, a mãe vai ficar desesperada, dará qualquer qualquer coisa para introduzir calorias ao pequeno… e assim nasce a obesidade.

 

Deve ser isso. Infelizmente meus caros, esse é apenas um post de reflexão. E para alertar, afinal, esclarecer qual o problema ajuda bastante. Não tenho a menor ideia como quebrar o ciclo. Quer dizer, não vou nem ter a cara de pau de sugerir aqui as recomendações dos especialistas (não dê porcaritos, deixe a criança com fome, uma hora ela vai comer arroz e feijão, tente vários tipos de comida, use a criatividade…) porque, apesar de desconfiar que eles têm razão, nem sempre a gente tem paciência para fazer tudo isso. Mas assim que eu achar o caminho do meio, eu conto!

 

beijos

 

Mônica

 

P.S. Esse post foi escrito originalmente em setembro de 2010. Atualmente, Úrsula, com seis anos, continua a comer pouco, mas já está com o crescimento normal na curva do pediatra e varia muito mais o que aceita no prato. O que eu fiz? Apesar do desespero, parei com os porcaritos. Descobri que criança não morre de fome – ao contrário, na hora H ela come qualquer coisa. Mas até chegar a hora H é preciso paciência, muita paciência e um pouco de surdez. Meu conselho? Comece a meditar…

 

7 Comments

  1. Olá tenho dois filhos… o Vini com 6 anos não comia nada até 6 meses atras… agora come de tudo e está bem forte… O Miguel de 2 anos… comi a de tudo… agora só come algumas frutas, pão de queijo, queijo e se der doces e salgadinhos…. to bem triste porém sei que ele voltará a comer normal… só que o Miguel fica o dia inteiro na escola e se eu não mandar o que ele gosta… fica o dia inteirinho sem comer nada, nem leite, nem suco… pego ele a tarde até gelado, sem falar nada… não acredito que todas as crianças se ficarem sem comer o que gosta comerão outras coisas… com meu filho não funciona…bj… amei o blog

  2. Muito do problema está no poder do marketing. Minha esposa, nutricionista, costuma dizer que, enquanto personagens da Turma da Mônica ou da Disney fazem propaganda de biscoitos e chocolates, ninguém fala bem da banana.
    E nós caímos nessa armadilha!!! Quando crianças se comportam bem, ganham doces. Quando terminam de comer a “obrigação”, ganham as “recompensas”, os doces.
    É necessário seduzir, vender a fruta. “Se fizer, a tarefa, ganha um caqui”.
    Tentem, funciona, e muito.

  3. Olá!
    Meu filhote é super alto para a idade mas é magrinho demais,e não faz questão de comer!O pediatra mandou fazer isso mesmo,deixa com fome,não dá petisco ,que na hora da fome ele come…daí eu deixo e quem disse que ele come?!
    Uma coisa que tem ajudado é a multimistura,fornecida pela Pastoral Da Criança…ele ganhou peso (1,5 kg,o que ja é bastante pra quem tem 1,24m e 19kg)…Só que eu gostaria de saber se você conhece ou ja ouviu falar…e em caso de conhecer,qual a sua opinião sobre essa multimistura?
    beijo

    1. Oi, Renata.
      Tive o imenso prazer de conhecer bem de perto o trabalho da Pastoral da Criança. Nesse trabalho vi de perto como a multimistura é feita. Maravilhosa! Aliás, trabalho da Pastoral é algo maravilhoso e muito, muito sério. Acredito que eles não forneceriam algo ruim para as milhares de crianças que atendem no Brasil e fora daqui. Então, Renata, se a multimisutra está funciona para o seu filho, se está trazendo apenas benefícios, se não provoca nenhum efeito colateral, acredite nela. Mas converse com o pediatra do seu filho. Diga o que está funcionando. Vc pode também tentar uma consulta com uma nutricionista para que ela te dê outra ideias de incrementar a alimentação do seu filho com alimentos saudáveis, porém calóricos, como mel, nozes, aveia, abacate. E parabéns pela busca por uma alternativa. O paladar e o fome dos filhos nos desafiam mesmo! beijos,
      Patricia

  4. Mô,
    adorei o post!! A-DO-REI! É um ciclo vicioso, afinal como a gente vem conversando as comidas viciam, sim, como as drogas, as bebidas alcóolicas. Por que será que não salivamos para brócolis mas salivamos para chocolate, comidas açucaradas etc?
    Também acho, já disse isso e acho que vou continuar insistindo, estuda-se muito pouco sobre esse gap que vc se perguntou?
    Será que na idade média, as mães também reclamavam que os filhos não comima? Como elas faziam para alimentar os rebentos já que não havia bolacha recheada, refrigerante e doces açucarados?
    beijos
    Pati

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