A cineasta Estela Renner fala com o Comer para Crescer

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A cineasta Estela Renner fala com o Comer para Crescer

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33% das crianças brasileiras pesam mais do que deveriam. Com essa informação na cabeça, a cineasta Estela Renner, 39 anos, decidiu fazer um documentário para entender e ao mesmo tempo denunciar as causas de um problema que promete prejudicar o futuro de toda uma geração: a obesidade infantil.  Assim nasceu Muito Além do Peso. E o filme explica muito: bebês com mamadeiras de refrigerantes, crianças que não reconhecem uma batata, pais que não conseguem colocar limites, a indústria alimentícia e todo o seu poder de alcançar regiões e paladares que muitos não conseguem. Não é a primeira vez que Estela entra em contato com o assunto. Seu primeiro longa metragem, Criança, a alma do négócio, de 2008, já alertava para alguns perigos. Estela conversou com o Comer para Crescer sobre sua experiência:

Comer para Crescer: Na sua opinião, até que ponto a obesidade é culpa da indústria alimentícia? E até que ponto é culpa dos pais?

A obesidade é multifatorial. Não dá para quantificar responsabilidades para vilão x ou y. O objetivo, ao fazer o documentário, era justamente mostrar o retrato do ambiente alimentar que criamos para nossas crianças, todos os segmentos inclusos. O que dá para saber com certeza é que a criança é a grande vítima. Ela de fato não tem culpa alguma. Uma criança de 4 anos não escolhe ser obesa.

Comer: A obesidade infantil é também uma obesidade da família?

Segundo pesquisas, se os pais têm obesidade há 80% de chance de os filhos também serem obesos. Acho que falta informação e educação alimentar. Muitos pais estão tão desamparados quanto os filhos. Têm medo de colocar limites, têm medo de dizer não. Acho que estamos falando de um assunto muito sério: a saúde de nossos filhos. Espero que o filme seja uma pedra de toque para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade para pararem para pensar sobre o assunto.

Comer: Depois de fazer esse documentário, como você acha que o problema da obesidade infantil no Brasil poderia ser resolvido?

A Coca-Cola anunciou que não fará mais publicidade dirigida às crianças menores que 12 anos, reconhecendo assim, o impacto do seu produto na epidemia da obesidade. Não acho que vai solucionar o problema, mas já é um começo, tendo em vista que os néctares e refrigerantes têm uma quantidade gritante de açúcares. Em cada lata de néctar são 10 saquinhos de açúcares! E em cada lata de refrigerante,  7 saquinhos de açúcares. Mas o problema, para ser resolvido, passa principalmente pela oferta dos produtos industrializados. Enquanto eles forem baratos, estarem por toda parte e continuarem com muito açúcar, gordura e sal, o problema da obesidade não será resolvido rapidamente.

Comer: Você é a favor da proibição da publicidade direcionada para crianças ou apenas a regulamentação delas?

Sou a favor de uma regulamentação que faça com que a publicidade fale somente com quem é responsável pela educação das crianças: os pais delas. Ninguém gosta que estranhos falem com seus filhos, mas é isto que acontece quando a publicidade fala diretamente com elas.

 

Aproveite para assistir o documentário:

Ele também está disponível para baixar no site Muito Além do Peso

beijos

Mônica

 

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