Aleitamento materno exclusivo depois de 4 meses é constestado

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Aleitamento materno

Essa notícia saiu hoje na Folha de S. Paulo – abaixo o texto na íntegra – e me fez pensar. Quase todas as mães que eu conheço introduziram a papinha com 4, 5 meses pois precisavam voltar a trabalhar (a nova licença ainda não estava em vigor). E, como eu, queriam estar presente nesse começo de vida sólida. Não tenho poderes para dizer se a OMS está correta ou não, mas imagino que sim, se minhas filhas chegassem aos seis meses só tomando leite, sentiria que estavam passando um pouco de fome. Sei lá…

O que me assusta mesmo na notícia é o fato do Ministério dizer que a média de aleitamento exclusivo é de 1,8 meses. Estamos amamentando muito pouco! E, depois disso, os pais dão o que? Leite em fórmula? Papinhas? Uma pena que a notícia não diga. Fato é que se os pais já se sentem naturalmente perdidos quando o assunto é alimentação dos filhos, notícias como essa causam ainda mais confusão. Vamos continuar acompanhando o assunto, mas queremos saber a sua opinião.

beijos

Mônica

 

Pesquisa contesta aleitamento exclusivo após 4 meses de idade

Orientação da OMS de 6 meses só com leite materno não tem base científica e pode levar à anemia, diz artigo inglês

Para o Ministério da Saúde, benefícios do aleitamento exclusivo são provados por estudos abrangentes

MARIANA VERSOLATO
DE SÃO PAULO

Contrariando as orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde), pesquisadores agora questionam se a amamentação deve ser exclusiva até os seis meses de idade do bebê.
Os autores afirmam que a introdução de alimentos sólidos a partir dos quatro meses, juntamente com a amamentação, traz benefícios.
Entre eles está o menor risco de a criança desenvolver alergias e doença celíaca (intolerância ao glúten).
O estudo contesta os seis meses indicados pela OMS desde 2001. O Ministério da Saúde segue essa orientação.
Mas, na prática, a duração média da amamentação exclusiva no país é de 1,8 mês, segundo os últimos dados do ministério, de 2008.
O artigo, publicado no periódico “British Medical Journal”, aponta que não há evidências científicas suficientes para que a organização tenha tomado a decisão.
Para Ary Lopes Cardoso, chefe de nutrologia do Instituto da Criança do HC de São Paulo, a amamentação complementar é prática antiga. “Teoricamente, não está errado. Embora não seja o melhor, não vejo problemas.”
Segundo ele, o ideal é que o aleitamento seja feito até os seis meses, mas não se pode tomar uma posição rígida. “Não dá para apregoar coisas impossíveis. É preciso considerar caso a caso.”
Os autores, de instituições como o Childhood Nutrition Research Centre, da University College London, e do Institute of Child Health, da Universidade de Birmingham, também tocam nesse ponto.
Dizem não ser contra a amamentação e apoiar a orientação da OMS, mas afirmam que deve haver interpretações diferentes em cada lugar -em países com alta mortalidade por infecção, a duração pode ser maior.

FALTA DE FERRO
Outro benefício de introduzir alimentos sólidos antes dos seis meses seria uma redução no risco de anemia, já que o cardápio mais variado ofereceria uma maior quantidade de ferro.
Mas, segundo Virgínia Weffort, presidente do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, os alimentos sozinhos não são capazes de cumprir esse papel em caso de deficiência.
“É precisa investigar a história da mãe, da criança, se é prematura. Nesses casos, é preciso usar medicamentos.”
Weffort afirma que a sociedade de pediatria está revisando estudos para saber se esses remédios, chamados sais ferrosos, devem ser usados também em crianças saudáveis a partir dos quatro meses. A mesma revisão, segundo ela, está sendo feita a respeito da introdução de alimentos nessa idade.
Para ela, no entanto, ainda é preciso haver mais estudos para dizer se a criança que começar a comer aos quatro meses terá mais benefícios. “Se começar nessa idade, a obesidade vai aumentar? Acredito que sim, porque o bebê pode se alimentar mal.”
Danielle Silva, coordenadora de processamento e controle de qualidade do Banco de Leite Humano do Instituto Fernandes Figueira/Fiocruz, afirma que o leite materno supre todas as necessidades da criança até os seis meses. Se a introdução de alimentos for necessária, diz, deve ser prescrita e acompanhada por médicos.

CRÍTICA À OMS
O artigo afirma que a organização baseou a diretriz dos seis meses com leite materno em uma revisão de 16 estudos dos quais só dois eram randomizados.
Lilian Espírito Santo, assessora sobre aleitamento materno da área da saúde da criança do Ministério da Saúde, afirma que a recomendação foi seguida e tomada a partir de estudos sérios e abrangentes.

15 thoughts on “Aleitamento materno exclusivo depois de 4 meses é constestado

  1. Bem, se a criança estiver engordando, crescendo e a mãe tiver tempo para amamentar crei ser importante aleitamento exclusivo até 6 meses. A minha filha completou 6 no dia 13/03 momento no qual passei a introduzir outros alimentos.

  2. Meus 2 filhos nasceram nos anos 72 e 74, nao tive leite por muito tempo e passei para o leite de vaca,o segundo filho tinha muita fome,com dias mamava uma madeira da grande inteira e passou para duas mamadeiras com 2 meses de 3 em 3 horas, quando ele tinha 2 meses e 17 dias, dei sopinha de legumes batida no liquificador,obviamente sem por sal nenhum, so assim ele parou te tomar as duas mamadeira das grandes, ele tinha muita fome, passei a dar tb mamadeira com farinhas lactea, mingaus de maizena e outros, hoje vejo meu neto(filho dele) completando 5 meses a mae tb nao teve leite, e ele toma uma faixa de 10 a 15 mamadeiras(pequena) por dia de Nan, morro de pena pois puxou ao pai e a mae nao da nada para completar pois o pediatra disse para nao dar, meus filhos quando completaram um mes dormian uma faixa de 11 horas por noite, e meu neto acorda umas duas ou tres vezes para mamar, a noite,acho que as maes tem que perceber as necessidades do filho e irem por seus instintos maternos, meus filho e saudavel e nada de ruim aconteceu.

  3. O Leite Materno é o alimento mais perfeito, encontrado na natureza.

    Minha filha tem seis meses e foi amamentada exclusivamente com leitinho da mamãe até agora e daqui por diante estamos iniciando a alimentação complementar que quer dizer: complemento ao leite materno e não SUBSTITUTO. Até o primeiro ano de vida do bebê, o leite materno é sim, a principal fonte de energia, vitaminas, minerais e TUDO de bom que um alimento possa oferecer.

    E tem mais: Estamos esquecendo que o leite materno não é só alimento. Hoje as mulheres analisam somente os benefícios nutricionais do leite materno pro seu bebê e se esquecem que o leite materno é muito mais do que simples calorias!
    O bebê que é amamentado terá mais estabilidade emocional, sentirá mais aconhego e carinho estando próximo ao calor do seio da mãe.

    “Amamentação é como o amor: Não se pesa, não se mede, não se limita!” by Luciana Sant.

  4. Ah, complementando: eu estou grávida de 3 meses, e espero poder amamentar bastante meu bebê, até os 2 anos. Claro que terei que trabalhar, mas tentarei reservar o leite do peito para que ele possa tomar durante minha ausência. Mas vou fazer como minha mãe fez comigo e minha irmã: introduzir outros alimentos, pois a criança gosta de descobrir novas texturas e novos sabores. E introduzir outros alimentos não significa tirar o leite materno dela. Acho que se forem comidinhas preparadas em casa, ao invés das industrializadas, não há mal nenhum. Com 4 meses os bebês já conseguem digerir papinhas moles, mas com sabores diferentes, eles gostam! Mas que seja tudo natural!

  5. Eu acho que é muito relativo….
    Minha mãe me amamentou até os 10 meses, porque eu não quis mais o peito, mas introduziu outros alimentos desde os 4 meses. Só que eram papinhas que ela mesma preparava, de legumes cozidos, carne batida no liquidificador, suquinho de fruta… tudo isso concomitantemente ao leite materno.

    Com a minha irmã, que nasceu 11 anos depois de mim (e hoje já tem 17 anos de idade), ela fez igual. Não introduziu alimentos sólidos porque queria desmamar e sim porque a médica disse que ela já estaria se preparando para aceitar outras coisas, que seria saudável. Assim minha mãe fez, e minha irmã seguiu comendo esses outros alimentos, junto com o peito, E pasmem: ela mamou no peito até 5 anos de idade!!!!! Minha mãe tentou tirar aos 2,5 anos mas minha irmã quase morreu… desmaiou, ficou doente.. então minha mãe resolveu deixá-la mamar até cansar. Claro que estipulou horário, mas continuou. Ela comia todo tipo de comida e frutas, leite normal, e ainda o do peito. E ela manteve sempre o peso normal, gordinha saudável apenas. E tem uma saúde de ferro até hoje. Raramente fica doente e quando fica, se recupera muito rápido.

  6. Tenho dois filhos. O primeiro, amamentei exclusivo ate 5 meses, e dos 5 aos 6, ele tomava uma mamadeira de nan por dia porque eu já nao tinha tanto leite. Aceitou comida muito bem, foi muito facil, e desmamou com 7 meses e meio. Ja com a minha segunda acabei introduzindo papinhas (so legumes, pouca quantidade e, nem todo dia) entre 5 e 6 meses. Ela está com quase 8 meses, mamando igual um bezerro, e comendo papinhas, mas não é muita adepta de carne não. Ele era mais magrinho que ela, mas os dois tinham bom ritmo de engorda, e o pediatra não quis que desse nem mamadeira e nem papinha. Mas confesso que no segundo filho foi mais dificil fazer aleitamento materno exclusivo, por que não dá pra viver em função do segundo filho como fiz com o primeiro. E com a minha segunda agora, que não aceita líquido de jeito nenhum, acho que vou amamentar por booooom tempo… Ou seja, introduzir alimentos precocemente não facilitou a substituição do leite pela comida. Ela está substituindo, mas é muito gradual, bem devagar.

  7. Ah, acrescente-se que é perfeitamente normal o bebê diminuir o ritmo de engorda depois dos 4 meses. Mas os pediatras usam maldosamente essa alteração natural da curva pra assustar as mães e vender NAN, Aptamil, papinhas da Nestlé, vitaminas e outros remedinhos.

  8. Não dá pra opinar com propriedade sem ler o estudo, porque a matéria, como não poderia deixar de ser, é superficial. Mas acho que esta afirmação não tem lógica nenhuma: “Entre eles está o menor risco de a criança desenvolver alergias e doença celíaca (intolerância ao glúten).” Grande parte das alergias alimentares está relacionada à introdução precoce de alimentos. glúten, por exemplo, só fui oferecer agora pra Emília, com 1 aninho. Até então ela não comia pão nem macarrão. Também nunca dei nenhum outro leite ou derivado que não fosse o meu, o que diminui as chances de ela desenvolver intolerância à lactose. É necessário ver quem fez esse estudo (será que tem alguém da indústria de alimentos por trás?) e quais os possíveis interesses que o motivaram. Não é à toa que a Nestlé é uma das grandes financiadoras de congressos de pediatria e a indústria farmacêutica, de eventos de obstetrícia. Já pensou que beleza vender papinhas pra bebês a partir dos 4 meses?
    Eu não fico confusa com esses estudos. Eu sigo meus instintos, confio neles e sossego. Introduzi alimentos pra Emília com pouco mais de 5 meses e ela demonstrou claramente que não estava pronta até os quase 7 meses. No próximo, vou fazer diferente.
    Ah, e sobre a anemia: uma medida muito simples que é altamente eficaz na prevenção da anemia nos primeiros meses de vida do bebê é esperar o cordão umbilical parar de pulsar pra cortar. Mas ninguém espera. Principalmente em cesárea.

  9. Eu amamentei exclusivamente até o sexto mês, e apesar de não ter seios pingando leite, minha filha cresceu, engordou, desenvolveu. Creio que o “problema” com o aleitamento é que a criança digere o LM mais facilmente do que outros alimentos, o que faz com ela sinta fome mais vezes ao dia, levando a falsa idéia de que a criança “passa fome” com LM exclusivo (excluindo os casos patológicos, claro).

    A minha idéia é que devemos respeitar o tempo de cada um, LM exclusivo até a criança dar sinais de que está pronta para receber outro tipo de alimentação. O sistema digestivo da criança, por exemplo demora para desenvolver, por isso a padronização dos 6 meses, que é quando a criança começa a desenvolver a capacidade de digerir outros alimentos. Mas isso não é uma verdade para todas as crianças: algumas precisam de mais tempo, outras de menos.

    Ao nascerem os dentes pode-se começar a introduzir outros alimentos, mas sempre levando em conta que o LM é o principal e assim vai ser até a criança comer de “tudo”.

    MAS nos dias de hj já é difícil amamentar 4 meses, quem dirá 6, 9, ou mais…e esses estudos patrocinados com interesses escusos só pioram tudo.

    Beijos,
    Nine

  10. sinceramente uma notícia dessas me deixa muito nervosa! eu tenho 4 filhos e todos amamentei até no mínimo 11 meses. e todos foram EXCLUSIVOS com leite materno até os 6 meses. é nenhum teve nenhum problema! pelo contrário, são crianças super saudaveis e serem estiveram com o peso equilibrado para idade. aliás, quando estavam só no leite materno tinham sempre o peso acima da média, percentil 90. ou seja, sempre foram aqueles bebês gorduchos de propaganda…como muitos familiares usam: verdadeiros bebês jonhsons! é com muita tristeza que escuto essa notícia, pois acaba incentivando várias mães a pararem ainda antes a amamentação. afinal de contas no mundo que vivemos hoje de culto ao corpo muitas deixam de amamentar para não prejudicar os seios!!! e temos que nos questionar quem está atrás de pesquisas como essas?? afinal de contas muitas empresas tem interesse em vender cada vez mais e com uma pesquisa dessa tirando a prioridade da amamentação até os 06 meses só quem ganha são eles!!!!

  11. Bom, baseada na minha experiência, eu acho que só leite materno após os seis meses é pouco sim. Faço parte do grupo que teve que iniciar a introdução de sólidos com 4meses e meio, por causa do trabalho, e mesmo com a ingesta de sólidos, até completar 6 meses (quando me desmamou) certamente meu filho tinha fome, pois estávamos aumentando o número de mamadas no peito, cuja tendência seria diminuir. Efetuado o desmame e introduzido o LA com engrossante, mais as papinhas, o ritmo de crescimento se manteve, e naturalmente, ele passou a comer mais e mamar menos. ainda toma bastante leite aos dois anos, mas a base de sua alimentação é a comida e frutas. Acho que devemos ser bem cuidadosas com as ainformações que recebemos, e aproveitar o que nos atende e serve ao perfil de nossa família. Afinal, o instinto materno é tudo de bom, não é não?!

  12. Então Monica, eue stava lendo sobre essa reportagem em outra fonte e o que está sendo questionado é que pode se tratar de uma pesquisa tendenciosa, já que três dos quatro autores estão ligados a indústria alimentícia de bebês no Reino Unido. O que é bastante comum e acontece com frequência. As pesquisas que são publicadas tem sempre algo por trás, por isso fico alerta quando leio algo. Mas pensando no outro lado, da mãe que precisa voltar ao trabalho e quer, como vc escreveu bem, fazer a introdução dos alimentos sólidos no bb, pra não se sentir a última das mães que não amamentou exclusivamente seu filho. Com o excesso de informação que temos é importante não levar tudo a ferro e fogo, como se fugir da regra fosse crime. Eu acredito que tem bbs que tem necessidade de alimentos sólidos antes de completar seis meses, assim como tem outros que podem esperar até um pouco depois dos seis meses. A OMS preconiza a amamentação exclusiva até os seis meses, mas cada bb deve ser avaliado de forma individual. O texto que vc fez é ótimo porque possibilita a reflexão e a discussão de um tema tão importante como a amamentação.

    Bjsss

  13. Monica,
    Assim como muitas crianças, quando meu filho tinha 4 meses começou a engordar menos do que o esperado e foi aquela novela. Não me rendi e continuei amamentando exclusivamente até pouco mais de 5 meses quando começaram as papinhas (nesse tempo não tinha licença de 6 meses), uma amiga muito querida e pediatra um tempo depois me explicou que algumas crianças precisavam de um pouco mais de energia, mas que se ele ainda ganhava peso, aunque fosse pouco, estava ok. O problema era estagnar ou perder peso e, claro, não crescer. Não podemos esquecer que cada caso em é um caso e eu acredito que anemia em um bebê, seja amamentado, tome formula, ou já coma papinhas deve ser analizada para além de uma deficiência nutricional. O que a matéria não fala é que a maioria dos pediatras no Brasil receita suplemento de ferro e vitaminas independente dos habitos alimentares e ai? Basta suplementar o ferro?
    Com relação ao leite depois dos 1,8 meses, uma parcela toma formula até os 6 meses e depois, passa pra leite ninho mesmo que é mais barato, a não ser que tenha alguma necessidade especial, pelo menos isso é o que observo com as minhas amigas. O dado pode ainda ser pior, já que muitas mulheres dizem amamentar exclusivamente, mas a noite o bebê toma formula, por exemplo.
    Bjs

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