Eu quero festa de aniversário como antigamente!

festa de aniversárioDesde quando a letra do Parabéns Pra Você de uma festa de aniversário ganhou “hey” no meio de cada frase?

Sonhei – olha que delícia – com a minha comemoração de sete anos. As tias cozinheiras passaram o dia em casa fazendo docinhos. O bolo, aquele tradicional de coco molhado embrulhado no papel alumínio, já estava guardado na geladeira. Os balões coloridos, único enfeite da festa, espalhavam alegria pela casa. Quando os convidados chegaram, eu abria o presente logo na porta e já colocava em cima da cama no quarto, um ritual. Ninguém precisava mandar a gente brincar. Vencida a timidez de início de festa, todos amiguinhos iam explorar a casa, com exceção talvez do quarto dos donos da casa, único cômodo fechado para manter alguma privacidade. E brincávamos muito, até a última criança ia embora chorando porque queria ficar mais.

Festa de aniversário plastificada

O que será que aconteceu com a infância para nossas crianças precisarem de monitores para conseguir brincar em uma festa de aniversário? E exigir brinquedos mirabolantes, como piscina de bolinhas ou tiroleza para distrair os amigos. Ou necessitar de um personagem massificado para decorar suas lembranças e fotos? Às vezes penso que tudo não passa de insegurança dos pais, que depois de irem a duas ou três festas assim, passam a desacreditar do poder da infância de se divertir sozinha. Ou, o que é pior, resolvem competir para ver quem faz a festa de aniversário mais badalada.

Acho um horror chegar na festa e deixar o presente em uma caixa do lado da recepção, sem ver o rostinho ansioso e feliz do aniversariante, mesmo que seja para encarar um “ah, não é brinquedo”. Pior ainda é observar cenas constrangedoras de pais espremidos com um homem-aranha fajuto ou uma princesa insossa gritando automáticas frases de animação. E não vou nem comentar novamente sobre os “heys” que não existem no Parabéns tradicional.

É realmente espantoso como nós adultos nos deixamos levar pelos outros, pelos modismos, pela preguiça até e acabamos nesse cenário, quando no fundo, sabemos que nossos filhos estariam felizes com uma boa festa de aniversário em casa, comum  bom brigadeiro de colher e um punhado de amigos brincando na sala.

Posso estar sendo preconceituosa mas tenho a incômoda sensação de que as crianças estão perdendo algo importante com toda essa plastificação do aniversário.

Sem falar que é muito mais gostoso ir embora da festa com aquelas despedidas estendidas na porta de casa do que com a cara mal-humorada de um monitor mostrando que o horário acabou e ele quer ir para casa.

 

Beijos

Mônica

 

P.S. Nem falei aqui da diversão dos pais que é totalmente roubada em festas de aniversário plastificadas. Um dos momentos mais divertidos da minha vida foi fazer o aniversário de cinco anos da minha mais velha, nossa famosa Festa dos Monstros. Emoções que nossa família jamais vai esquecer e nem precisamos de um super herói para isso…

 

13 Comments

  1. Adorei!!! Sou mãe de primeira viagem, e quero muito fazer a festa de um ano, mais não entendo pra que convidar 150 pessoas gastar horrores e ainda deixar a criança estressada, quero despertar essa sensação nos convidados relembrar os melhores momentos da nossas vidas

  2. Eu nos meus 50 anos me reportei para a minha infancia,como era bom!Hoje eles nao sabem o que estao perdendo.Nunca faço aniversários fora de casa,prefiro a nostalgia de antigamente.

  3. Oi, Mônica.
    Muito bacana ver a forma como você descreve esse momento tão emblemático na infância da gente que é a festa de aniversário.
    Tenho 48 anos e lá em casa as coisas sempre foram muito simples, mas repletas de significado. Lembro com muito carinho da minha mãe pegando os apetrechos pra fazer o bolo e depois confeitá-lo. E as bolinhas prateadas pra enfeitar?Nossa… que lindo que ficava! E a alegria de ver minhas três amiguinhas entrando lá em casa pra cantar parabéns comigo? Me sentia uma princesa. que carinho minha mãe tinha ao preparar aquilo pra mim. Hoje, tenho três filhos e tenho feito as festas aqui em casa com decoração e brincadeiras inventadas por mim mesma. Na verdade, eu descobri que, apesar do trabalho, é muito mais legal fazer as festas na nossa casa e dar a “sua cara” ao evento. Fora que você tem a liberdade de brincar com seu filho e com os amigos dele sem ter que ficar sob o olhar repressor dos monitores dos salões festa. Aqui em casa, pra direcionar as energias dos meninos uma vez eu criei um tùnel de papelão onde as crianças entravam e, à medida que avançavam, o tùnel ia ficando cada vez mais baixo, até que elas saíam engatinhando do outro lado. Imagine a farra quando um deles resolveu brincar de pegador e tinham que passar rápido por este túnel! Rsrs Até hoje eles lembram desta farra. E aí tem festa do pijama, acampamento no terraço com direito a fogueira e violão, bolinha de sabão, bingo com brindes… A gente fica cansada, é verdade, mas vale muito a pena. Espero que quando eles forem pais, também sintam o mesmo entusiasmo. Parabéns pelo seu blog. É inspirador.

  4. Nossa! Incrível como ainda têm pessoas que pensam como eu…É tão gostoso festejar sem preocupação a que horas a festa tem que acabar! E as coisas feitas em casa têm outro sabor, tudo fica mais prazeroso. A correria atualmente é tão grande que o prático (os buffets) acaba sendo o mais procurado mesmo, mas as pessoas nem pensam nas outras opções. Gastam até R$10 mil em 5 horas de festa, onde ela é apenas um produto para a casa, mais uma igual a tantas outras. Quando você faz em casa, no parque, na escola você participa realmente de tudo e eu digo como mãe e profissional da área: vale a pena!! E muito!
    Beijo!

  5. Nossa, amei seu blog… sou uma mãe assim, não suporto ir em festa em buffet que tem aqueles brinquedos eletônicos,.
    É i segundo ano da minha filha, faremos um pic nic… acho que vai ser o máximo.
    As brincadeiras serão, pular cordas, bolinha de sabão, faremos um balanço, dança das cadeiras, caça ao tesouro para os maiores…
    Acho que vai ser muito legal!!
    Bjo

    1. Concordo plenamente, tanto q venho tentando trazer um pouco de td isso para nossas festinhas. Mas a plastificaçao tem suas razões de existirem. Já não temos mais casas e sim micro apartamentos, nao temos mais as tias e avós tão disponíveis e prendadas e o que é pior, ja não temos mais tanto tempo para executar tudo isso. Tempos modernos q nos roubaram as coisas mais simples e legais da infância…

  6. Venho tentado resgatar essas lembranças, fazendo as festinhas das crianças em casa, preparando a decoração e algumas guloseimas – não sou muito boa em cozinha – e chamando as pessoas mais próximas que realmente tem a intenção de comemorar conosco a festa e não somente vir pra comer, beber, ficar reparando e botar defeito.

  7. Sem falar que tudo fica mais lindo *-*!
    É triste pensar que muitas vezes os pais pagam caro por um buffet com uma decoração de isopor mal acabada e usada em mais um monte de festas anteriores… sem falar nos brinquedos quebrados e sujos. =( Fotografo crianças, e consequentemente algumas festas infantis, e já me deparei com monitores mal educados e de má vontade tb.
    Mil vezes festa em casa com gosto de infância livre e criativa. ^^

  8. Mônica, super concordo. Toda vez que vou em festa em buffet também fico pensando que algo se perdeu. Também odeio os “hey” no meio do parabéns. Também não gosto dos personagens plastificados, de monitores vestidos com aquelas fantasias horrendas, e acima de tudo, do fato que as pessoas pouco interagem. Já fui em festa em que não conhecia ninguém, a não ser os pais da aniversariante, que era amiguinha da minha filha, e me senti até meio mal.
    Aqui as festas são caseiras, no máximo no salão do prédio. Estou no meio dos preparativos da festinha de 1 ano do meu filho, que também vai ser de monstros, cheia de ideias. Sem painéis mirabolantes, sem monitores, sem “hey” no meio do parabéns..

  9. Nem me fale, as festinha realmente estão se tornando um saco. Parecem circo, quem viu um, viu todos. Mas o que eu acho pior é a necessidade de encher o local de adultos. Para cada criança, 2 adultos. Isso não é festa infantil, é uma reunião e dá-lhe cerveja, salgados adequados…. Cansei! Por mim, enquanto eu não puder chamar só crianças, não faço mais festa para meu filho.
    Um dia vou alugar uma van para buscar e levar SÓ as crianças. Nada de adultos deslocados e eu tendo de dar atenção. Quero uma festa com balão, alguns brinquedos plásticos como espadas, bambolês, coroas de princesas, “anéis de poder”, bolha de sabão…. só isso, nada de maquiadora, monitor impaciente, teatrinho forçado. Quem sabe um mágico, pois até eu gosto, mas só!
    Uma outra alternativa é fazer a festa na sala de aula, não descem para o intervalo e comemoram por lá mesmo. São as mesmas crianças que viriam para a festa, mas sem os seus pais.

  10. Mônica,
    Concordo totalmente contigo e a cada ano que passa, tenho certeza que é esse o caminho. Vc sabe como são as festas de aniversário aqui em casa. Pena que os meninos não enxergam como eu. Eu fiz duas festas de aniversário do Samuel em buffets. Ele amou. Os amigos também e confesso que eu também, pois quem teve de administrar todas aquelas crianças foram os monitores. Já o Miguel nunca teve festa em buffet e sei que esse é um dos sonhos dele. E eu até gostaria de realizar esse sonho, mas acho um absurdo pagar R$ 6 mil, R$ 8 mil, R$ 10 mil para uma festa de aniversário de 3 ou 4 horas. Prefiro gastar esse dinheiro levando o garoto para Disney, outro sonho dele.
    Adorei o post. Mas aqui o Parabéns a você tem gritos “hey” liderados pelas criança. Uma tradição familiar que nem sei como surgiu.

    bjs

  11. Oi, Mônica

    Também sou dessa opinião… As festas de aniversário dos meus filhos são todas muito simples. Como moro em apartamento, faço no salão do prédio, sem exageros de decoração, sem brinquedos alugados… Tem uma brinquedoteca ao lado do salão onde a gente deixa alguns brinquedos que as crianças vão deixando de usar, então nas festas de aniversário, eles brincam com esses brinquedos, e brincam de correr no playground do prédio, de escorregador e de balançar… E é sempre muito divertido, sem hora para acabar, sem exageros, sem badalação. Adorei sua postagem!

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